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Terça-feira, 12 de Maio de 2009
MOURISCAS

 (Texto lido pelo seu autor, no encontro "Mouriscas em Discussão")                                                                                               

 

 

            Quando há cerca de dois meses me convidaram a participar nesta iniciativa, não hesitei um segundo: na medida do possível aqui estaria neste dia, para dar o meu contributo para que esta terra que me viu nascer, não caísse no esquecimento.

           

            E durante estes dois meses, muitos foram os que me alertaram para a eventualidade de, no espírito dos organizadores desta reunião, estarem interesses político-partidários ou tão apenas fins para destruir outras iniciativas que felizmente existem e que têm, penso eu, como única finalidade não deixar morrer a memória desta nossa terra.

 

            Garantiram-me que nada disso estava no espírito dos organizadores: e por isso aqui estou, dentro da medida do possível a dar o meu contributo.

 

            Todavia, estes “avisos” fizeram-me lembrar outros tempos: os tempos em que os cá de cima eram rivais dos lá de baixo (ou vice-versa) como se a freguesia não fosse só uma e todos não fossemos conterrâneos. Hoje em dia essa ideia de rivalidade julgo estar esbatida ao máximo, não obstante continuar a haver dois campos de futebol…

 

            Pediram-me para recordar o passado: o passado vivido nas férias grandes quando passava aqui os meses de Verão, assistia às então famosas festas da Junta de Freguesia no largo do Espírito Santo que me viu nascer, sem esquecer o ano que frequentei este mesmo Colégio Infante de Sagres, e onde desemburrei para fazer o exame da 4ª classe e a admissão ao Liceu. Seria injusto da minha parte não recordar o quanto me ajudaram a levar a bom porto essa dupla missão, o saudoso professor Matias Lopes Raposo e a não menos saudosa D. Maria Amélia, sua esposa.

 

            Aliás, o professor Raposo foi o grande responsável pela primeira vaga de profissionais dos Caminhos-de-ferro, nascidos em Mouriscas. Talvez alguém, um dia, tenha a paciência de contabilizar quantos naturais de Mouriscas enveredaram profissionalmente pelos Caminhos-de-ferro Portugueses. Segundo julgo saber, meu pai terá sido um dos primeiros, senão o primeiro e só na minha família, da parte de mina mãe, foram 4, porque o outro irmão seguiu a vida eclesiástica. Mas talvez alguém, um dia, se disponha a fazer essa contabilidade. Mas não foram apenas os naturais de Mouriscas a estudar nestas instalações para concorrerem para a CP. De fora veio uma autentica legião de candidatos ao ponto de, a certa altura, a escola do professor Raposo ser considerada “a Universidade” dos Caminhos de Ferro”.

 

            Depois dessa avalancha de funcionários da CP, de naturais desta nossa terra, veio uma outra: a dos professores de instrução primária (hoje ensino básico). Foi com algumas destas gerações que me cruzei, neste colégio, aquando da preparação para os exames da 4ª classe e admissão aos liceus. Entretanto os filhos dos ferroviários e de outros Mourisquenses, sonharam mais alto e conseguiram atingir os canudos universitários nas mais diversas áreas. Há registos desses ilustres em sítios especiais da Internet.

 

            Mas voltemos aos tempos das minhas férias grandes em Mouriscas…

           

Estávamos então no final da década de 40…e no álbum de boas recordações figuravam já as jornadas pelo Meirão para caçar alguns passaritos, ou para ver meu avô fazendo farinha na velha azenha que nunca mais visitei. Ou as excursões que fiz nas minas vizinhas dessa mesma ribeira, procurando um minério chamado galena com que meu primo, um bom par de anos mais velho, construía una aparelhos onde se ouviam as estações de rádio mais potentes. Bons tempos, Manuel Dias…

 

            Mas, nessa altura, o zénite do interesse e da expectativa pelo menos minha, eram as Festas no Largo do Espírito Santo. De dois em dois anos, digo eu hoje, as festas eram pretexto para se estrear um fato. Que no dia seguinte se mostrava infestado de pó, pois alcatrão era coisa rara nos caminhos desta terra. A luz eléctrica era produzida por um gerador alugado, que não raro se avariava e deixava tudo às escuras. Mas tudo se resolvia…sem atropelos nem protestos…

 

            A finalidade destas Festas de Verão era, está bom de ver, angariar fundos para a Junta de Freguesia: duas figuras, entre muitas, davam o seu esforço para se conseguir, no fim das festas, ficar com um saldo positivo: o Dr. João Gualberto Santana Maia e o Presidente da Junta de Freguesia, Francisco Lourenço Grossinho. Só de pensar que todos os anos os dois percorriam toda a freguesia à frente da banda de música cumprindo o peditório tradicional, pode-se ficar com a ideia do sacrifício que durante anos e anos essas duas figuras fizeram em prol desta terra.

 

            Mas houve um ano em que alguém se lembrou de contratar para os serões dos dias de festa, artistas da Rádio que de Televisão nem se ouvia falar. Certamente que se discutiu muito sobre a rentabilidade desses contratos: certo que os nomes grandes da canção trariam muita gente de fora a Mouriscas…mas o seu “cachet” deveria ser exorbitante. Mas ao fim e ao cabo ficou-se de saber quanto seriam esses “cachets” e se valeria a pena fazer esses contratos.

            Estou a imaginar quantas noites passou sem dormir o bom do então presidente da Junta, Francisco Grossinho, só de imaginar que as festas dariam prejuízo pela primeira vez…

 

            Não sei ao certo, nem nunca soube, qual era o valor dessa despesa. Só me recordo que se inventou uma outra fonte de receita, para além da do dancing e das barracas de bebidas: inventou-se o “recinto reservado”, naturalmente pago, e onde se construíram umas mesas de madeira onde as pessoas se podiam sentar e melhor apreciar os artistas de cada noite. Mas, por haver mesas…haveria também se possibilitar os utentes dessas mesas com bebidas e alguns acepipes. Nasceu outra fonte de receita que o Francisco Grossinho aplaudiu, esfregando as mãos de contente!

 

            E se até essa altura o momento grande desses serões eram o Fogo de artificio dos pirotécnicos desta terra, a verdade é que a vinda dos artistas constituiu um chamariz que ninguém imaginava ser possível. Nessas noites, o Largo do Espírito Santo era um mar de gente, como alguns, como eu, ainda hoje recordam com saudade.

 

E houve outra invenção para aumentar as receitas:

Até ali, os cartazes anunciadores das festas, com o programa, eram grandes folhas que se colavam nas paredes e nas montras dos estabelecimentos. No ano de 1964, para além desses programas fizeram-se outros, uns livrinhos de 48 páginas, com o programa detalhado e o historial tanto da terra como das industrias locais e…com publicidade de todos ou quase todos os estabelecimentos de Mouriscas. Nesse de 1964 contei nada mais, nada menos do que 93 anúncios.

 

Artistas que vieram a Mouriscas?

Vou tentar recordar todos, embora julgue que é tarefa impossível:

Maria de Lurdes Resende

Eugenia Lima

Maria de Fátima Bravo

Anita Guerreiro

Mimi Gaspar

Simone de Oliveira

Gina Maria

Alice Amaro

Maria Candal

Marina Neves

Zelinda Isabel

Lina Maria

Maria Cândida

Leonia Mendes

Cidaliza do Carmo

Estela Alves

Maria Fernanda Soares

Maria Helena Silva

Maria Eduarda

Cândida Viana

Fernanda Paula

Helena Moreira Viana

Fernanda Guerra

Rui de Mascarenhas

Tristão da Silva

Luís Piçarra

Max

Tomé de Barros Queirós

Manuel Fernandes

Artur Ribeiro

Loubet Bravo

Carlos Nascimento

Humberto de Castro

Heldes António

Silva Tavares

Miguel Simões

Carlos Lacerda

João Viegas

Fernando Ribeiro

Vitorino Matono

Carlos Areias

Jerónimo Bragança

João Aleixo

Raul Nery

José Nunes

Júlio Gomes

Yola e Paulo

Adoracion e José Luís

Pilarim Santana

Rancho Tá Mar da Nazaré

Orquestra Típica Albicastrense

Paulo Alexandre

Luísa Neves

Milá Talaia

Isabel Azevedo

Carlos Votorino

José Manuel Cunha

Carlos Garcia

Vítor Espadinha

Tó Zé Brito

As Doce…

E ainda, durante pelo menos 2 anos, todo o elenco artístico da boite Ritz Clube,  por influencia directa do Mourisquense Leonel Albino Baptista, então chefe da esquadra da PSP da Praça da Alegria.

 

Esses os bons tempos que me recordam de Mouriscas. Hoje não há mais festas daquelas até porque, nestes tempos, é muito mais difícil organizar eventos destes.

 

Mas não podemos cruzar os braços. Se houver um plano altruísta, que possa vir a ter êxito, é de avançar.

 

Permitam-me ainda que dedique esta minha intervenção a um dos membros mais activos do blog “Mouriscas em Movimento” e que não está presente nesta sala como deveria estar por direito próprio: o Joaquim de Matos a quem a caneta não fez doer a mão enquanto escrevia para esse sítio da internet.

 

                                                                                   Orlando Dias Agudo

 



publicado por mouriscasmovimento às 00:33
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